A poética da posse contra a propriedade de que nos fala Décio Pignatari em seu texto seminal “Marco Zero de Andrade” é uma formulação conceitual que parece não ter desdobramentos na produção de poesia contemporânea. Assim como todo o ímpeto crítico e teórico de Augusto e Haroldo de Campos que a cada dia é mais incorporado a esse museu indevassável, que permite a seu público apenas a oscilação entre a veneração e a vingança (práticas mistificadoras centradas em uns poucos tópicos, muitas vezes banais e devidamente didatizados, de uma vasta poética do complexo). Assim como a radicalização formal de Wlademir Dias Pino e do Poema/Processo, reorganizando a partir de um novo paradigma teórico que nasce não como justificação prévia de um projeto personalista, mas como uma implicação simultânea da produção poética proposta, etc.
/
As reivindicações de pertencimento a esse repertório degeneram em disputas de prováveis heranças. Sem a preocupação de se estabelecer uma revisão cuidadosa de suas conquistas (que são muitas, não se pode negar) a celebração festiva e o insulto ao alheio estabelecem entre si o contraponto necessário para se instaurar uma quase-polêmica que embala em mornidão incontornável os debates sobre poesia. A partir desse sistema de referência tácito/tático formam-se agrupamentos, ou clubes de poesia.
/
De novo, a poética da posse contra a propriedade de que nos fala Décio Pignatari em seu texto seminal “Marco Zero de Andrade”, etc.
/
Poéticas nômades, que se insurgem contra os mitemas da invenção e da ruptura, eclodem por todos os cantos e ampliam o espectro pós/produtivo, mas o barroquismo histérico, adjetivador e ególatra ainda se fixa entre nós como uma possibilidade real de inscrição. Agenciada pelo consumo, que imprime a continuidade da inovação sobre a descontinuidade da experiência, essa gramática do fazer poético se outorga o uso do qualificativo humanista (lembranças de “humanimaldade” de cummings, via tradução de A. de Campos), sem, no entanto, compreender que é uma ratificação do senso comum.
/
O prosaísmo é uma doença do e para o homem profundo. O falar banal, que melindrou Mallarmé (escrevo isso a despeito da centralidade da obra do poeta francês em algumas das proposições dos autores citados anteriormente), é um fato incurável. Já a profundidade é uma justificação da inépcia ao tato, uma mistificação derivada das totalizações de uma civilização tipográfica (ainda McLuhan). Daí a insistência nas imagens do Labor, de que é resultado especialmente a frase muito comum em colóquios de poesia que envolvam poetas e/ou acadêmicos: “O poeta labora a palavra”. O projeto de valorização da figura individual do poeta enquanto mecanismo agenciador de valor é uma tautologia. Tautologia genealógica. A suposição de que o cotidiano é uma superfície devastada que merece ser salva sob o abrigo/abismo da metáfora sagrada é no mínimo curiosa. Poesia para escafandristas.
/
Item: Cada vez há mais exceções. Talvez (e esse é meu desejo) essas notas relatem uma circunstância da qual nos lembraremos um pouco constrangidos.
/
"A poesia de Oswald de Andrade é a poesia da posse contra a propriedade. Poesia por contato direto. Sem explicações, sem andaimes, sem preâmbulos ou prenúncios, sem poetizações. Com versos que não eram versos. Poesia em versus, pondo em crise o verso: um prosaísmo deliberado que é uma sátira contínua ao próprio verso, livre ou preso." (Marco Zero de Andrade, Décio Pignatari)
/
etc.
Mostrando postagens com marcador esgotos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador esgotos. Mostrar todas as postagens
Pela manhã, eu e Susana fomos ao Mercado Público
para as compras da semana. Lá,
nos distraímos com: 1. as poças d'água e nossa
nenhuma lembrança de chuva recente; 2. os pedintes
e aqueles que nós julgávamos pedintes; 3. Dona Júlia,
que estava doente, segundo seu filho; 4. um rato
morto, que punha em xeque os selos de inspeção
e nossa curiosidade mórbida; 5. o limite de
nosso interesse em contar distrações; 6. o uso
da palavra “pedinte” num poema mal escrito de
um autor autoindulgente; 7. mandar lembranças
para Dona Júlia, quando (ou se) passarmos por lá na volta;
8. a delimitação do conceito de “distração” para
o caso de uma possível arguição; 9. as poças d'água, de novo,
e analogias com arquipélago ou trincheiras; 10. o uso
da primeira pessoa do plural num poema
mal escrito de um autor autoindulgente, especialmente
por envolver o nome de Susana; 11. a imagem que
construímos do Mercado Público por meio de
“poças d'água”, “pedintes” e “rato morto”; 12. o fato
de Dona Júlia nunca aparecer num poema que escrevemos;
13. o fato de o Mercado Público nunca aparecer
num poema que escrevemos; 14. o fato de o Mercado
Público daqui ser uma merda, o que não acontece
em outras cidades; 15. a possibilidade de as distrações,
a partir do momento em que são organizadas em lista,
se transformarem em outra coisa. Quando chegamos em casa
tínhamos comida para o resto da semana (como previsto).
para as compras da semana. Lá,
nos distraímos com: 1. as poças d'água e nossa
nenhuma lembrança de chuva recente; 2. os pedintes
e aqueles que nós julgávamos pedintes; 3. Dona Júlia,
que estava doente, segundo seu filho; 4. um rato
morto, que punha em xeque os selos de inspeção
e nossa curiosidade mórbida; 5. o limite de
nosso interesse em contar distrações; 6. o uso
da palavra “pedinte” num poema mal escrito de
um autor autoindulgente; 7. mandar lembranças
para Dona Júlia, quando (ou se) passarmos por lá na volta;
8. a delimitação do conceito de “distração” para
o caso de uma possível arguição; 9. as poças d'água, de novo,
e analogias com arquipélago ou trincheiras; 10. o uso
da primeira pessoa do plural num poema
mal escrito de um autor autoindulgente, especialmente
por envolver o nome de Susana; 11. a imagem que
construímos do Mercado Público por meio de
“poças d'água”, “pedintes” e “rato morto”; 12. o fato
de Dona Júlia nunca aparecer num poema que escrevemos;
13. o fato de o Mercado Público nunca aparecer
num poema que escrevemos; 14. o fato de o Mercado
Público daqui ser uma merda, o que não acontece
em outras cidades; 15. a possibilidade de as distrações,
a partir do momento em que são organizadas em lista,
se transformarem em outra coisa. Quando chegamos em casa
tínhamos comida para o resto da semana (como previsto).
1.
De acordo com o ministro, isto é,
De acordo com o ministro
2.
Onde se lê “ministro”, leia-se “ministro”
3.
Onde se lê “Onde”, leia-se “Onde”
Onde se lê “se”, leia-se “se”
Onde se lê “lê”, leia-se “lê”
Onde se lê “ministro”, leia-se “ministro”
Onde se lê “,”, leia-se “,”
Onde se lê “leia-se”, leia-se “leia-se”
Onde se lê “ministro”, leia-se “ministro”
4.
Onde se lê “Onde se lê Onde, leia-se Onde”,
leia-se “Onde se lê Onde, leia-se Onde”
Onde se lê “Onde se lê se, leia-se se”,
leia-se “Onde se lê se, leia-se se”
Onde se lê “Onde se lê lê, leia-se lê”,
leia-se “Onde se lê lê, leia-se lê”
etc.
5.
isto é, De acordo com o ministro
isto é, acordo com o ministro De
isto é, com o ministro De acordo
isto é, o ministro De acordo com
isto é, ministro De acordo com o
isto é
De acordo com o ministro, isto é,
De acordo com o ministro
2.
Onde se lê “ministro”, leia-se “ministro”
3.
Onde se lê “Onde”, leia-se “Onde”
Onde se lê “se”, leia-se “se”
Onde se lê “lê”, leia-se “lê”
Onde se lê “ministro”, leia-se “ministro”
Onde se lê “,”, leia-se “,”
Onde se lê “leia-se”, leia-se “leia-se”
Onde se lê “ministro”, leia-se “ministro”
4.
Onde se lê “Onde se lê Onde, leia-se Onde”,
leia-se “Onde se lê Onde, leia-se Onde”
Onde se lê “Onde se lê se, leia-se se”,
leia-se “Onde se lê se, leia-se se”
Onde se lê “Onde se lê lê, leia-se lê”,
leia-se “Onde se lê lê, leia-se lê”
etc.
5.
isto é, De acordo com o ministro
isto é, acordo com o ministro De
isto é, com o ministro De acordo
isto é, o ministro De acordo com
isto é, ministro De acordo com o
isto é
mais um capítulo da história infinita das paródias do poema 'josé' de carlos drummond de andrade, isto é, deus nos perdoe
6 de ago. de 2011
e
agora
seu Carlos?
a
festa taí
acenderam as
luzes
a galera
taí
aquele seu poema
já encheu
o saco
(taí)
e agora
seu
Carlos? e
agora
você? você
que tem
nome
(Carlos?)
que
zomba dos
outros
que já não faz versos
nem ama
nem protesta?
e
agora
agora?
agora
seu Carlos?
a
festa taí
acenderam as
luzes
a galera
taí
aquele seu poema
já encheu
o saco
(taí)
e agora
seu
Carlos? e
agora
você? você
que tem
nome
(Carlos?)
que
zomba dos
outros
que já não faz versos
nem ama
nem protesta?
e
agora
agora?
Toda poética se faz a partir da concepção de ritmo que a acomete. (Todos, em tudo, somos acometidos pela concepção do ritmo.) No entanto, ritmo é uma palavra que assume múltiplas acepções, basicamente determinadas por seu uso cotidiano, mas que, apesar da diversidade das línguas e de suas culturas implicadas, tem um mesmo eixo gravitacional. De acordo com a esticologia tradicional, o ritmo está baseado nas relações métricas e entoativas do verso e não se refere a nada que não pertença ao plano sonoro, linear, temporal. A partir de analogias ingênuas com a teoria musical, se fundamenta na alternação entre unidades de tempo tônicas-fracas no compasso/verso para sua determinação. Daí a construção de uma terminologia complexa, esotérica, que se traveste de científica e que só distancia o ouvido dos sentidos envolvidos no contato com as materialidades em foco. Compreender o ritmo a partir das unidades de duração implicadas nesses processos é uma tarefa de deslocamento (ou retorno, na perspectiva etimológica) complexo. Assim como as imagens sonoras (privilegiadas pelo dinâmica métrica-tônica do verso), as imagens visuais, tácteis, olfativas e gustativas, se constituem como duração de sua percepção e, assim, se dividem tanto temporal quanto espacialmente constituindo as constelações sígnicas que são seu escopo. Assim como “As armas e os barões assinalados” dos Lusíadas de Camões e os primeiros compassos da Quinta Sinfonia de Beethoven, a Autobiografia de todo mundo, de Gertrude Stein e o filme Blow Job de Andy Warhol (etc.) se dividem em infraelementos indivisíveis que arranjados entre si constituem um ritmo, que não se baseia exclusivamente no plano sonoro, mas em todas as imagens envolvidas (sonoras, tácteis, olfativas e gustativas, incluindo-se em cada uma delas a dimensão catalisadora da memória). A poesia, assim, órfã da tradição recitativa, incorporada por meio de uma musicalidade bizarra que adestra e castra a vocalidade de seus intérpretes em favor do melífluo (esquizóide), se afasta radicalmente do verso e, por conseguinte, do tempo, pensado enquanto unidade que se processa linearmente. A poesia de texto, que é uma poesia do ritmo, se faz a partir da multiplicidade de sinais que a originam, independentemente de critérios valorativos convencionados, valendo-se de todo e qualquer material que se ofereça a qualquer sentido, a fim de processar uma escrita pansêmica, contínua e nômade.
a.
e o sinônimo de rio, o nunca
está mais em alta do que lifestyle
bem depois de colorir os cinemas
das principais capitais mundiais.
tem tudo a ver com a pele bronzeada
a animação brilhante no espaço.
o projeto ganhou azul no piso,
uma peça leve, composição.
"crio joias reais para mulheres
possíveis que podem ser conferidas
nessa nova coleção de linguagem"
a cidade dá nome ao lançamento
precioso dos destaques da rosa
que traduz o estilo easy going.
b.
foi por acreditar que as misturas
especiais resultam de experiências
que a joia perfeita precisa ser
exclusiva e funciona como
pedras spinel negras, prata e pérolas.
singular também é o entedimento.
sócias enviam as peças até
se não puder visitar o ateliê.
não é exagero dizer "desafio
à gravidade" do engenhoso brinco
duo: geometria e movimento.
na redação do jornal nacional
novidades para compor seu look
na hora de apresentar notícias.
c.
no início parecia mais um
daqueles hypes, entre os tantos tantos
que o mundo fashion alimenta mal.
não levou muito tempo e a estação
inusitada em formato de insetos
e criaturas macabras. antenas
mais apuradas. daí a virarem
sensação (multimarcas cool colette)
em paris foi um pulo. uma linha
estilística já desvinculada
de convenções e que flerta co'o estranho.
verdadeiro ensaio em ouro e esmalte
sobre a anatomia do corpo humano,
isso ainda que sapos e aranhas.
e o sinônimo de rio, o nunca
está mais em alta do que lifestyle
bem depois de colorir os cinemas
das principais capitais mundiais.
tem tudo a ver com a pele bronzeada
a animação brilhante no espaço.
o projeto ganhou azul no piso,
uma peça leve, composição.
"crio joias reais para mulheres
possíveis que podem ser conferidas
nessa nova coleção de linguagem"
a cidade dá nome ao lançamento
precioso dos destaques da rosa
que traduz o estilo easy going.
b.
foi por acreditar que as misturas
especiais resultam de experiências
que a joia perfeita precisa ser
exclusiva e funciona como
pedras spinel negras, prata e pérolas.
singular também é o entedimento.
sócias enviam as peças até
se não puder visitar o ateliê.
não é exagero dizer "desafio
à gravidade" do engenhoso brinco
duo: geometria e movimento.
na redação do jornal nacional
novidades para compor seu look
na hora de apresentar notícias.
c.
no início parecia mais um
daqueles hypes, entre os tantos tantos
que o mundo fashion alimenta mal.
não levou muito tempo e a estação
inusitada em formato de insetos
e criaturas macabras. antenas
mais apuradas. daí a virarem
sensação (multimarcas cool colette)
em paris foi um pulo. uma linha
estilística já desvinculada
de convenções e que flerta co'o estranho.
verdadeiro ensaio em ouro e esmalte
sobre a anatomia do corpo humano,
isso ainda que sapos e aranhas.
voltar
a
escrever
é como
voltar
a escrever
as mesmas
palavras
os
mesmos
amenos
dilemas
as
penas
a curvatura
do esse
das
emas
o bocejo o
sentido profundo
do poço
o osso o
fóssil-
segundo o
brilho
estribilho da
merdáfora
sacra
os ohmeudeus
do meu
amor
que me olha
com cara
de riso
e ri
com a cara
que tem
a mesma
cara
que me faz
rindo
também
voltar
a
não voltar
a
escrever
voilá
a
escrever
é como
voltar
a escrever
as mesmas
palavras
os
mesmos
amenos
dilemas
as
penas
a curvatura
do esse
das
emas
o bocejo o
sentido profundo
do poço
o osso o
fóssil-
segundo o
brilho
estribilho da
merdáfora
sacra
os ohmeudeus
do meu
amor
que me olha
com cara
de riso
e ri
com a cara
que tem
a mesma
cara
que me faz
rindo
também
voltar
a
não voltar
a
escrever
voilá
pelo fato simples, possamos ver.
Cogita fato.) Agora, o dele
saindo, caindo ela vai chegar
naquele gesto. Tem de me
lembrar, sublevados pelo álcool, Não
existem janelas. lembro de o
à parede do carro de
pipocas. em abraços cordiais. cerveja.
Dois rapazes, amigos. Não me
achei que houvesse na escada.
Insídia. levantou quando apareceram ontem:
um abuso. lembrou. Por favor,
depois se dissolveram junto com
o de bigodes fartos. aflita.
O comprimido vértice dela com
(perfídia: a queda não sabe
como Agora, resta o atrás
de um o pôr-do-sol. Rumor
fuga? Penso nela Como antes.
Árvores noite alta. Em pensa
em. Folhas O quê? Quando
à frente do enquanto finge
arrumar estão sublevados por que
isso impeça, cerveja. Dois rapazes,
próximo, lugar nenhum vazio pousara
Cogita fato.) Agora, o dele
saindo, caindo ela vai chegar
naquele gesto. Tem de me
lembrar, sublevados pelo álcool, Não
existem janelas. lembro de o
à parede do carro de
pipocas. em abraços cordiais. cerveja.
Dois rapazes, amigos. Não me
achei que houvesse na escada.
Insídia. levantou quando apareceram ontem:
um abuso. lembrou. Por favor,
depois se dissolveram junto com
o de bigodes fartos. aflita.
O comprimido vértice dela com
(perfídia: a queda não sabe
como Agora, resta o atrás
de um o pôr-do-sol. Rumor
fuga? Penso nela Como antes.
Árvores noite alta. Em pensa
em. Folhas O quê? Quando
à frente do enquanto finge
arrumar estão sublevados por que
isso impeça, cerveja. Dois rapazes,
próximo, lugar nenhum vazio pousara
eu me incomodo sim eu
me incomodo muito
sim eu me incomodo
muito pouco sim
eu me incomodo muito pouco
pra não dizer o contrário
sim eu digo o contrário
duas vezes
pra ser mais claro sim
eu sou tão claro
ai meu deus
que ofuscado de mim
me incomodo muito
sim eu me incomodo
muito pouco sim
eu me incomodo muito pouco
pra não dizer o contrário
sim eu digo o contrário
duas vezes
pra ser mais claro sim
eu sou tão claro
ai meu deus
que ofuscado de mim
ou valsa fúnebre de hermengarda
porra hermengarda
você foi
pro beleléu
se eu bebi
ou não
se eu comi
ou não
se eu estou
aqui ou
não
porra agazinha
você se
fodeu
"mas quem q perde
mas quem q perde
ceci n'est
pas une merde"
hermengardinha você
foi
tarde
& se não
foi
eu empurro você
de leve
de levinho
pra não
desmanchucar
porque eu te amo
meu chuchu
q o merdalhão
está aí
pra alegrar a vida
dos bosques
q o merdalhão
está aí
solto e louco
uma gripe
porra hermengarda
você foi
pro beleléu
se eu bebi
ou não
se eu comi
ou não
se eu estou
aqui ou
não
porra agazinha
você se
fodeu
"mas quem q perde
mas quem q perde
ceci n'est
pas une merde"
hermengardinha você
foi
tarde
& se não
foi
eu empurro você
de leve
de levinho
pra não
desmanchucar
porque eu te amo
meu chuchu
q o merdalhão
está aí
pra alegrar a vida
dos bosques
q o merdalhão
está aí
solto e louco
uma gripe
tem dias que me
perco e
peço que não
seja
isso só
uma questão de endereço
entre mudo e
midas
de riso engatilhado
à beira de um chiste de
um
salmo
( ou à beira
de um
bocejo ) é
com o que não vejo
que
me salvo
perco e
peço que não
seja
isso só
uma questão de endereço
entre mudo e
midas
de riso engatilhado
à beira de um chiste de
um
salmo
( ou à beira
de um
bocejo ) é
com o que não vejo
que
me salvo
§
minha terra tem torneiras
feitas para nos molhar
as águas que aqui nos molham
não são moles como lá
§
minha terra tem cadeiras
pra que a gente vá sentar
as bundas que aqui se sentam
mais cansadas que as de lá
§
minha terra tem geleiras
onde canta o urso polar
os ursos que aqui farreiam
só não comem sabiás
§
minha terra tem areia
usada pra misturar
cimento água pedreiro
e monumentalizar
to be continued
série romântica no prelo
minha terra tem torneiras
feitas para nos molhar
as águas que aqui nos molham
não são moles como lá
§
minha terra tem cadeiras
pra que a gente vá sentar
as bundas que aqui se sentam
mais cansadas que as de lá
§
minha terra tem geleiras
onde canta o urso polar
os ursos que aqui farreiam
só não comem sabiás
§
minha terra tem areia
usada pra misturar
cimento água pedreiro
e monumentalizar
to be continued
série romântica no prelo
o q fazer com esse portfolio
de bibelôs
a madame não tem mais
mesa de centro
a madame não tem
mais centro
a casa cláudia não vai mais
fotografar a sala
o portfolio
não fica bem na beira da piscina
fica muito mar egeu
muito tietê
pelo menos dá
pra segurar a porta
apesar de tanto mosquito
alguma utilidade
de bibelôs
a madame não tem mais
mesa de centro
a madame não tem
mais centro
a casa cláudia não vai mais
fotografar a sala
o portfolio
não fica bem na beira da piscina
fica muito mar egeu
muito tietê
pelo menos dá
pra segurar a porta
apesar de tanto mosquito
alguma utilidade
"A permanência do PT no poder é uma ameaça à democracia brasileira. Está vendo o que acabou de acontecer? Espancando o Serra!"
(Ferreira Gullar em entrevista)
uma piada para não esquecer
(Ferreira Gullar em entrevista)
uma piada para não esquecer
da porta do quarto eu
fico vendo
o cachorro que eu chamo
de meu
é um cachorro
que dorme
é um cachorro
o cachorro que dorme
e é meu se
incomoda quando eu
passo
rente
por sua cabeça (
sua cabeça é minha por
extensão
)
eu fecho a porta do quarto
e não vejo mais
o cachorro
o cachorro que dorme
o cachorro que dorme e se incomoda
isto é
passo
rente
por sua cabeça
estou calado
atrás da
porta
estou incomodado
mas não durmo
fico vendo
o cachorro que eu chamo
de meu
é um cachorro
que dorme
é um cachorro
o cachorro que dorme
e é meu se
incomoda quando eu
passo
rente
por sua cabeça (
sua cabeça é minha por
extensão
)
eu fecho a porta do quarto
e não vejo mais
o cachorro
o cachorro que dorme
o cachorro que dorme e se incomoda
isto é
passo
rente
por sua cabeça
estou calado
atrás da
porta
estou incomodado
mas não durmo
o fascismo paulista
afunda (é claro
: exceto em Israel
) anotar
: o Waack foi pro brejo
adios, nonino
onde se lê 'alívio'
leia-se 'alívio'
afunda (é claro
: exceto em Israel
) anotar
: o Waack foi pro brejo
adios, nonino
onde se lê 'alívio'
leia-se 'alívio'
Assinar:
Postagens (Atom)




